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Museu do Futebol

No mês de maio, foi inaugurada a exposição “Amarelinha” no Museu do Futebol, na cidade de São Paulo! Ver todas as pesquisas sobre a história das camisas de futebol tomando forma ao longo da exposição, às vésperas de mais uma Copa do Mundo, foi uma experiência incrível.

Desde o final de 2025, começaram as reuniões de trabalho sobre a exposição, que veio para contar a história das camisas que a seleção brasileira usou em todas as edições de Copa do Mundo — ou seja, desde 1930.

Ao longo dos meses, foram realizadas:

(1) pesquisa textual sobre as transformações no design das camisas (em torno de 115 itens) ao longo das décadas e em todas as edições das Copas, trazendo questões geopolíticas e socioculturais, e abarcando também camadas relacionadas às transformações dos materiais, do design, da tipografia e da tecnologia têxtil;

(2) produção de fichas com dados das camisas selecionadas pela curadoria, com foco no design, na materialidade e na tecnologia;

(3) pesquisa iconográfica complementar, com a indicação das fontes oficiais das imagens.

Além dessas etapas, foram realizadas visitas presenciais ao Museu do Futebol e um levantamento de dados diretamente no Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB).

Os primeiros meses foram de muito levantamento, visitas ao acervo de um colecionador para medição e registro fotográfico das camisas, sistematização dos dados e verificação das informações por meio de fontes documentais e visuais. Tudo isso para selecionar as camisas que seriam expostas e construir um dossiê sobre a história dessa materialidade, as tecnologias têxteis, os avanços e os elementos que foram compondo as camisas da seleção em diferentes épocas.

As informações foram organizadas através de esquemas que pudessem ser visualizados de uma forma fácil pelo visitante, seja sobre as fibras têxteis das camisas dos jogadores, seja para ler uma camisa de copa e compreender o que significa cada elemento, curiosidades, as mudanças desde 1930 até a atualidade, um glossário têxtil explicando os principais termos, uma mesa tátil para ter o contato com o tecido.

Inclusive, foram realizadas visitas a lojas de tecidos e aviamentos em busca de materiais similares aos das camisas para compor o percurso museal e as interações de acessibilidade. Houve também a oportunidade de acompanhar o fotógrafo ao acervo do autor do desenho da camisa amarelinha, o gaúcho Aldyr Schlee.

Considerando que foi minha primeira consultoria para um museu, enquanto pesquisadora têxtil, participar da abertura oficial da exposição foi um momento que guardarei na memória. E, com certeza, muitos fatores me tornaram capazes e proporcionaram aptidão de trabalhar com essa temática em um momento e para um objetivo tão especial, entre eles, destaco minha pesquisa de doutorado sobre a história dos uniformes do Grêmio FBPA, onde minha pesquisa documental foi realizada no acervo do Museu do Grêmio – Hermínio Bittencourt, e meu intercâmbio de doutorado sanduíche (CAPES-PDSE), no qual pude realizar a visita ao Legends: the home of football, em Madri, Espanha.

Por fim, evidencio a relevância da interdisciplinaridade para a qualidade de uma pesquisa, onde neste caso, a equipe que compôs a etapa da pesquisa têxtil era composta por uma historiadora, uma museóloga e eu enquanto designer de moda.

 

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