Doutoranda de Pelotas inicia intercâmbio na Argentina para pesquisar patrimônio industrial têxtil
Por Clarissa Ribeiro, em 26 de outubro de 2026.
A doutoranda Laiana Pereira da Silveira iniciou, em outubro, as atividades de pesquisa na Pontifícia Universidade Católica Argentina (UCA), em Buenos Aires. Natural de Pelotas, a pesquisadora realiza um doutorado-sanduíche no país vizinho, com foco no patrimônio industrial têxtil da região de Luján, na reutilização de antigas fábricas e nas tecnologias empregadas na produção têxtil.
A experiência integra o projeto de pesquisa “Tecnologias Antigas e Atuais em Culturas Tradicionais Ibero-Americanas: Sustentabilidade de Paisagens Históricas da Produção”, desenvolvido em cooperação internacional. O intercâmbio conta com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio da Bolsa de Doutorado Sanduíche no Exterior (SWE).
O plano de trabalho, segundo ela, foi elaborado no início de 2026, com atividades voltadas à investigação das tecnologias têxteis, da memória do trabalho e da cultura material. Entre as primeiras ações previstas está uma visita ao Museu Têxtil, em Luján, para aprofundar o conhecimento sobre a história da produção industrial na região.
Universidade ocupa antigos armazéns portuários
As atividades começaram com uma reunião on-line com a professora Mariela Ceva, orientadora estrangeira de Laiana, para organizar o cronograma e definir as prioridades do primeiro mês. Já na primeira visita presencial ao campus da UCA, a doutoranda conheceu as instalações onde desenvolverá a pesquisa e recebeu a credencial institucional.

A recepção foi realizada pelo professor Juan M. López Fidanza, diretor do mestrado em Sociologia e coordenador do Instituto de Pesquisas da Faculdade de Ciências Sociais da universidade. Durante a apresentação dos espaços, Laiana conheceu também a história do complexo arquitetônico de Puerto Madero, onde está localizado o campus. Os edifícios de tijolos vermelhos foram construídos entre 1900 e 1905 e originalmente funcionavam como armazéns portuários, integrando o projeto de docas idealizado pelo engenheiro Eduardo Madero.
A transformação dessas estruturas em espaços universitários chamou a atenção da pesquisadora por estabelecer uma relação direta com seu campo de estudo: a reutilização de edificações industriais e a preservação de suas características históricas. O próprio local onde as atividades acadêmicas são desenvolvidas, portanto, oferece uma oportunidade de observar como construções ligadas à produção e ao trabalho podem ganhar novas funções sem perder sua relação com o passado.
Troca com pesquisadores e preparação para o trabalho de campo
Na sala destinada aos pesquisadores, Laiana conheceu a doutoranda Felicitas Santurio, que desenvolve um estudo sobre patrimônio industrial, mundo do trabalho e gênero. O contato foi articulado previamente pela professora Mariela Ceva e possibilitou à estudante conhecer melhor a estrutura da universidade, incluindo biblioteca, cafeterias e espaços de convivência entre os prédios.

A doutoranda destaca a importância de contar com um ambiente adequado para desenvolver as atividades. A sala de pesquisa oferece acesso à internet e um espaço silencioso para leituras, organização dos materiais e preparação das próximas etapas do trabalho.
Nas primeiras duas semanas, as atividades estiveram concentradas principalmente na leitura e no planejamento da visita ao Museu Têxtil, em Luján. A experiência no museu deve contribuir para aprofundar a investigação sobre as antigas estruturas fabris e as tecnologias utilizadas na indústria têxtil.
Diferenças entre os idiomas fazem parte da experiência
Além das atividades acadêmicas, o intercâmbio tem proporcionado à pesquisadora novas observações sobre a vida cotidiana em outro país. Embora já tivesse familiaridade com o espanhol, Laiana percebeu diferenças entre as variedades do idioma faladas na Argentina e na Espanha. A estudante relaciona essa percepção à experiência anterior de doutorado-sanduíche na Universidad de Sevilla, entre 2024 e 2025, quando teve contato com as particularidades do dialeto andaluz. A proximidade de Pelotas com a fronteira uruguaia também contribuiu para sua familiaridade com a língua.
Para Laiana, observar essas diferenças é uma oportunidade de refletir sobre as variações linguísticas, inclusive dentro de um mesmo país. A experiência remete às particularidades do português brasileiro e às diferenças presentes nas formas de falar entre regiões e comunidades. O intercâmbio em Buenos Aires marca, assim, uma nova etapa da trajetória acadêmica da pesquisadora, que também vivencia pela primeira vez a rotina de morar em uma capital. Nos próximos relatos, sua expectativa é compartilhar novos detalhes das atividades de pesquisa, incluindo a visita ao Museu Têxtil e os conhecimentos reunidos sobre o patrimônio industrial da região de Luján.

A discente Laiana Pereira da Silveira está realizando o doutorado-sanduíche com apoio do Conselho Nacional de Pesquisa CNPQ – Bolsa de Doutorado Sanduíche no Exterior – SWE Processo: 201559/2026-9 Pontificia Universidad Catolica Argentina Santa Maria de Los Buenos Aires como parte do projeto Tecnologias Antigas e Atuais em Culturas Tradicionais Ibero-Americanas: Sustentabilidade de Paisagens Históricas da Produção.
(Processo: 403368/2024-3) apoiado na Chamada MCTI/CNPQ Nº 16/2024 – Faixa 1: Projeto em cooperação internacional.


